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Rogério Suzuki fala sobre a tecnologia BIM: do 3D ao 5D e seus usos na construção

By 23 de setembro de 2020No Comments

A Modelagem da Informação da Construção (BIM) pode ser definida como um “processo de construção virtual feito de forma colaborativa”, segundo o consultor de BIM, Rogério Suzuki. O especialista explica que para implantar um software que permite utilizar a modelagem, a empresa precisa mudar seus processos, métodos de trabalho e cultura.

iceberg do bim

Isso porque o BIM não é um sistema ou uma ferramenta, mas uma nova forma de pensar a construção civil.  A modelagem BIM pode ser usada de diversas formas na construção civil, como o BIM 3D, 4D e 5D, e para mostrá-las com mais profundidade, preparamos este artigo.  Confira!

O cenário da tecnologia BIM na construção civil brasileira

Uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela que apenas 9,2% das empresas da construção civil utilizam BIM em suas rotinas. Esse total de empresas representa 5% do PIB do setor.

Com o objetivo de mudar esse cenário, o Governo Federal desenvolveu uma estratégia de disseminação do BIM. A ideia é que com essa ação as empresas sejam estimuladas a adotar o uso da metodologia em seus processos. Entre as principais metas do projeto estão:

  • aumentar a implantação do BIM no Brasil em 10 vezes;
  • até 2024, 50% do PIB da Construção Civil deve ter adotado a metodologia;
  • tornar o uso do BIM um padrão no setor.

O processo que levará anos para ser concluído prevê que, primeiramente, as empresas adequem seus processos para utilizar a tecnologia BIM e, só então, poderão concorrer em licitações de órgãos federais. Veja abaixo quais são os prazos determinados pelo Governo Federal:

  • Primeira fase – a partir de janeiro de 2021:  o BIM será exigido no desenvolvimento de modelos de Arquitetura e Engenharia, atendendo estrutura, hidráulica, AVAC e elétrica na detecção de interferências, na extração de quantitativos e gerando documentos gráficos a partir dos modelos;
  • Segunda fase – a partir de janeiro de 2024: contemplar algumas etapas da obra, como planejamento, orçamentação e atualização dos modelos e informações (“as built”), além das exigências da primeira fase;
  • Terceira fase – a partir de janeiro de 2028: cumprir com as fases anteriores e ser capaz de atender todo ciclo de vida da obra e atividades do pós-obra. Será aplicado em construções novas, reformas, ampliações, reabilitações de média ou grande relevância, serviços de gerenciamento e manutenção do empreendimento após finalizado.

Como grande parte do mercado não utiliza a tecnologia BIM, as empresas do setor terão um caminho desafiador pela frente. O processo de implementação do BIM envolve na forma ideal, um trabalho de mudança de mindset, a digitalização da empresa, o investimento em equipamentos e software, mas que oferecem retorno em curto e médio prazos.

“O mais difícil de tudo é mudar a cabeça das pessoas e fazer elas trabalharem colaborativamente. O BIM muda a maneira como se projeta, planeja, orçamenta, constrói e mantemos os empreendimentos. É mais difícil de implantar pois depende de agentes internos e externos para o seu sucesso” ”, comenta Rogério Suzuki.

O que o BIM pode fazer pelas empresas do setor?

Rogério Suzuki acredita que “o BIM é uma inovação que já é realidade em muitas empresas e que vem definitivamente para ficar. É preciso investir para praticar uma competitividade em pé de igualdade no mercado. Quem não fizer vai ficar para trás”. Muitas empresas, no entanto, não entendem como a tecnologia BIM funciona e como pode ser utilizada na construção civil.

De forma prática, o BIM é uma representação virtual do projeto que será desenvolvido. Criando a modelagem do empreendimento, é possível saber exatamente como ele vai ficar depois de pronto e, durante a execução da obra, é possível ter uma visualização completa do que já foi feito e o que ainda está planejado.

Ou seja, o planejamento é desenvolvido e conforme o cronograma vai evoluindo, o modelo é atualizado, mostrando as etapas que já foram concluídas. Caso esteja em atraso, o gestor consegue acompanhar pelo cronograma e pelo modelo o que ainda não foi concluído. 

Essa visão mais realista do projeto permite que todos os envolvidos tenham ganhos consideráveis. Se a obra está em atraso, por exemplo, outros profissionais, como projetistas e prestadores de serviço, terão que esperar para dar andamento em suas tarefas. Os fornecedores podem segurar as entregas de materiais, pois não serão utilizados naquele momento etc. 

Veja a seguir, como cada modelo da tecnologia BIM ajuda no processo construtivo da sua obra. 

BIM 3D 

O BIM 3D é utilizado para a criar projetos tridimensionais e facilitar sua execução. As informações que esse modelo oferece reúnem todos os dados do ciclo de vida do projeto, bem como suas definições, métodos de trabalho, as práticas adotadas no projeto, na operação e na construção. 

Esse modelo processa dados geométricos e dimensões espaciais, a tipologia dos materiais e seus custos. Todas as informações são calculadas e detalhadas. Em geral, é utilizado na criação de estruturas metálicas e físicas. 

BIM 4D

O BIM 4D é utilizado para adicionar ferramentas úteis de otimização do planejamento e gerenciamento dos projetos ou da realização da obra no canteiro. Esse modelo está atrelado ao desenvolvimento em si do projeto, pois atua nos processos de planejamento e gestão.

Com a modelagem 4D, o gestor consegue analisar e controlar o tempo dedicado à construção. Os projetistas, por exemplo, terão mais facilidade para coordenar diferentes atores e atividades que estão relacionadas com o processo de construção.

Uma das principais vantagens do BIM 4D é a visualização do progresso das atividades, ainda em fase de projeto. Assim, é possível otimizar o tempo de cada atividade, verificar situações críticas nesse processo, simular e ter uma visão de diferentes cenários.

BIM 5D

A modelagem 5D atua na composição de orçamentos, custos e estimativas de valores. Esse modelo extrai os quantitativos do BIM 5D e os interliga com as Composições de Preços Unitários (CPUs). Dessa forma, é possível alcançar maior precisão de valores, manter o escopo do projeto atualizado, bem como as informações sobre materiais, equipamentos e mão de obra.

Por fim, o BIM 5D proporciona maior previsibilidade para o gestor, permitindo que cenários e possíveis impactos sejam identificados, analisados e evitados ou minimizados. Um ponto legal de se destacar é que, com as informações relacionadas a prazo e custo extraídas do BIM 4D, também é possível entender que recursos — sejam financeiros, materiais ou de mão-de-obra — serão necessários ao longo do tempo. 
Viu como a tecnologia BIM é importante para os processos construtivos? Mas antes de pensar em implantar essa metodologia em sua empresa é preciso fazer uma análise do seu negócio e investir na capacitação de seus profissionais.  Quer aprender mais sobre BIM? Veja a participação do especialista no assunto, Rogério Suzuki em nosso Webinar sobre como conectar planejamento, BIM e a viabilidade de empreendimentos.

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