Gestão

As novas ideias e modelos para gestão na construção civil

By 18 de junho de 2020No Comments

A construção civil tem uma participação inegável na vida de todos nós e se faz presente em algum momento do nosso dia a dia: da reforma do banheiro aos arranha-céus, as contribuições são inúmeras. Mas, por vezes, o setor é lembrado como desorganizado, sisudo e cascudo. O lado positivo é que para muitos, já a transformação da gestão na construção civil trazendo progresso, crescimento e renovação.

De qualquer forma, é importante lembrar que essas percepções da sociedade sobre o setor é um reflexo e uma avaliação do posicionamento, das ações e das comunicações de cada empresa, instituição, e de todas as pessoas presentes e atuantes no mercado. É a maneira como são desenvolvidos os relacionamos entre profissionais, equipes e clientes, e como são absorvidas  as novidades e ideias do novo mundo digital dizem muito sobre o setor, seus valores e propósitos.

Neste contexto, podemos destacar a atuação de profissionais com ideias e iniciativas inovadoras, movidas pelo propósito de transformar a gestão na construção civil e a maneira como as pessoas percebem o setor. O objetivo é torná-lo mais humano, apropriando-se do posto de agente de mudança e prosperidade que a construção civil pode e deve ter.

Uma destas profissionais é Marcia Codecco, CEO e Diretora de Projetos da Vistta Consultoria, especialista em gestão e planejamento estratégico de obras e embaixadora da gestão e envolvimento das pessoas como alicerce principal para toda essa transformação. 

Márcia participou do segundo episódio do Talk Visionário da Prevision e contou um pouco mais da sua história, missão e visão. Confira os principais tópicos da conversa e alguns highlights compartilhados por ela!

Talk Visionário #2 destaca a transformação da gestão na construção civil pelo olhar da Vistta Consultoria

Veja o que a Márcia Codecco, da Vistta Consultoria, falou sobre as novas metodologias, como o Lean Construction, e sobre gestão de pessoas e liderança no segundo episódio do Talk Visionário da Prevision.

Prevision: Depois de atuar com diversas empresas, como você enxerga o nível de desenvolvimento das empresas no Brasil quanto à organização de processos, digitalização e nessa ideia de resolver problemas?

Marcia: O momento atual que vivemos é muito oportuno para que as empresas repensem seu modelo de gestão. Quem está ativo e pronto para repensar, agora é melhor momento, e entendo que dentro desse olhar essa empresa vai se desenvolver. Independente disso, eu sempre entendi que as empresas e as pessoas, dentro da construção civil, estavam muito focadas no resultado, sem perceber o caminho que é necessário trilhar para chegar a ele. E é importante visualizar também o processo de maturação necessário, que passa pelas pessoas. 

Atualmente, o mercado da construção civil, por meio da inovação, das startups, das construtechs, tudo o que veio se desenvolvendo sempre traz essa pegada do ser humano, do design thinking, que fica cada vez mais forte. E isso acaba provocando empatia, e nós, como consultores, praticamos a empatia todos os dias, com nossos clientes e com nós mesmos. 

Além disso, vejo o mercado começando a se importar e dar valor a essa questão. Principalmente porque vivemos em um momento de resiliência pura e quando a gente busca esses comportamentos o mercado se estimula. 

Há um longo caminho ainda, ainda é necessário que o mercado perceba que o imediatismo leva a coisas não sustentáveis e não perenes, e a nossa defesa é a implementação de projetos sustentáveis e perenes. O meu olhar é que o mercado ainda precisa se desenvolver muito nisso e, sobretudo, é necessário que as empresas busquem a consciência e vejam o que é necessário mudar e aprimorar.

Prevision: Qual o papel da gestão de pessoas e da liderança dentro desse processo de transformação?

Marcia: O que a gente sempre viu é que o RH sempre foi tratado como um departamento pessoal, um departamento de burocracias, um departamento que gerava as folhas de pagamento, mandava embora ou contratava. Era a visão que tínhamos. Quando a gente passa a entender que o mercado está trabalhando com o RH, olhando para gente-gestão e participando no estratégico da empresa e não mais como um RH operacional, fica visível a mudança. 

Minha experiência diz que é necessário colocar pessoas ao centro das decisões e ter um RH estratégico, com participação em decisões e iniciativas. 

O papel do RH é fundamental em qualquer implementação de projetos em qualquer desenvolvimento de empresa mas, sobretudo, o papel da cultura organizacional, que vem dos donos, dos CEOs, deve se alinhar com essa visão. 

Não podemos hoje olhar pro mercado e entender que o mercado se posiciona externamente de uma forma, enquanto internamente as pessoas estão sofrendo, adoecendo, por causa de um stress e de uma cobrança que já não cabe mais, isso tem que acabar. 

O mercado tem que tomar consciência das pessoas, do movimento e dos benefícios de se ter um RH estratégico, quanto aprimoramento, cursos de motivação, montando comitês de inovação, deixando as empresas numa comunicação aberta. Então a gestão aberta, a gestão horizontal é o caminho. Temos metodologias que vêm para comprovar isso, a metodologia ágil, trabalhar por “squads”, trabalhar orientado a um projeto.

Então, eu convido a todos, todos os líderes, todos os danos de empresas a entenderem como lidar com pessoas. O mercado tem essa restrição, essa barreira de como lidar com pessoas. A ordem de “manda quem pode obedece quem tem juízo” não funciona mais e nós precisamos inovar, inclusive no trato das pessoas e na percepção do valor trazido. 

Eu entendo que esse campo é muito aberto e também que todos nós temos que nos envolver e conhecer cada vez mais esse mercado, essas pessoas e dar oportunidades para destampar a criatividade e oportunidade para que as pessoas tragam o que elas estão idealizando como futuro, seus anseios, suas angústias. Só com a liberdade a gente consegue traçar identificadores. 

O Design Thinking tem uma parte chamada de cocriação. Todos os passos desses diamantes do Design Thinking trazem para a conversão, a expansão que nos dá condição de abrir e fechar a ideia a todo o momento, testar, pivotar. A gente tem que ser mais livre, mais liberto. É isso que eu entendo.

Prevision: Qual o papel do setor para a sociedade e como essas novas práticas, filosofias e inovações devem ser percebidas nesse contexto?

Marcia: Quando a gente olha pro mercado e para a gestão na construção civil vamos pensar naquele pedreiro que tá trabalhando lá na obra, que saiu de casa às quatro da manhã, que foi trabalhar, que comeu sua marmita, subiu e desceu escadas, carregou peso. Enfim, nosso mercado precisa se preparar olhando para as pessoas que estão na linha de frente, colocando a mão na massa em relação a seus esforços. 

Mas numa empresa que tem uma metodologia organizacional com uma linguagem horizontal, aberta, é possível notar que as pessoas vão pra obra com uma energia diferente, de um formato diferente. E ao sair do trabalho, tomou seu banho na obra, pegou o ônibus e voltou pra casa. Se ela teve um dia de trabalho cansativo mas gostoso no ambiente que ele está, ele vai levar isso pra sua casa também, e assim a gente alimenta essa cultura da organização na casa de quem tá vindo trabalhar pra nós. 

Então o que devemos nos preocupar é como essa energia está permeando e chegando lá no campo, na casa de cada funcionário. As metodologias e filosofias estão aí para que se aprenda. Não somos os donos da verdade, mas o que eu posso dizer é que têm especialistas para tudo, então não queiram fazer as coisas dentro da empresa sem buscar esses especialistas. 

Se você pretende implementar uma cultura, uma gestão de mudança, busque profissionais que possam agregar valor dentro da empresa e sempre com aquela condição inicial, de ter consciência de mudar, de se conectar com as pessoas, se conectar com a necessidade, com o que realmente te faz acordar todos os dias. A gente existe pra quê? Por quê? Qual o meu propósito? Qual o propósito da empresa? São perguntas que devem ser feitas. 

O nosso papel quanto empresario, na sociedade é auxiliar essas pessoas a se entenderem, a motivar essas pessoas a se desenvolverem. O nosso país vai mudar dessa forma, com as pessoas, com uma conscientização, com o papel da ética e da moral. É dessa forma que a gente vai se desenvolver. Tudo a gente pode, a única coisa que a gente não pode é ficar no vale do conforto, isso que a gente não pode. 

O mercado está disponível para aprendizado, é necessário aprender a aprender. Seja um pouco mais focado, olhe o que realmente traz valor, tanto para empresa quanto para você como pessoa, se motive. Dessa forma seu resultado vai ser muito melhor, o reconhecimento será garantido e o resultado que vai trazer pra sua empresa, para você e para a sociedade é quase que intangível.

Highlights para guardar

De tudo o que foi abordado na conversa, listamos aqui alguns dos principais tópicos para você guardar e se inspirar:

  • Para atingir resultados perenes e com sustentabilidade é preciso entender que existe uma jornada a ser trilhada, um processo de maturação evitando pensamento imediatistas. E o mais importante, esses resultados sempre passam por pessoas, a peça fundamental de tudo.
  • As necessidades de tecnologia logo serão supridas, mas as necessidades de processos e de desenvolvimentos de pessoas é um ponto de atenção que se deve observar. Necessariamente, é preciso juntar filosofias e metodologias de modo que se incorpore todos os valores para construir um mercado melhor.
  • Para promover uma transformação da gestão na construção civil, olhando internamente para a empresa, existem dois fatores fundamentais: a conscientização das pessoas sobre o que a empresa representa para elas, em relação a qual a sua proposição de valor e o que ela busca entregar; e revisitar os processos e entendê-los como uma diretriz para melhoria contínua e não apenas como um fluxograma a ser seguido.
  • Desenvolver um setor de recursos humanos estratégico, responsável por colocar as pessoas no centro das decisões, promovendo e reforçando a cultura interna da empresa em todo momento. Isso gera resultados muito mais interessantes para a empresa e para a sociedade.
  • O feito é sempre melhor que o perfeito. Precisamos fazer, sair do campo das ideias, nos permitindo errar para desenvolver os aprendizados necessários que vão nos levar para diferentes patamares como empresa, pessoas e sociedade.

Esperamos que o conhecimento compartilhado neste material seja valioso para você. Assista aqui o vídeo completo! 

O Talk Visionário vai ao ar todo mês com um novo episódio.

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