Lean Construction

As bases da construção enxuta para reduzir custos

By 15 de setembro de 2020No Comments

É impossível falar em construção civil sem mencionar o desperdício. Construtoras, engenheiros, operários e outros profissionais do projeto atuam de forma contínua buscando minimizar as perdas e reduzir custos. Nesse sentido, a construção enxuta (Lean Construction) é uma metodologia fundamental para alcançar melhores resultados.

A filosofia da construção enxuta orienta que devemos olhar além dos desperdícios óbvios para identificar todos os processos em que há custos desnecessários e por que. Ou seja, o que está fazendo a obra gastar mais do que precisa? Entender as bases da construção enxuta vai ajudar a reduzir os custos e tornar seus projetos mais sustentáveis e produtivos. Acompanhe a seguir!

Principais tipos de desperdícios na construção civil

Espera

O tempo gasto na construção civil, seja por pessoas ou por equipamentos sem uso, é considerado como um desperdício. Enquanto esperam, funcionários não estão executando nenhuma atividade necessária ao processo, assim, estão sendo improdutivos

Os equipamentos poderiam estar sendo usados em outros projetos, caso sejam da construtora. Quando não são, a diária de locação daquele recurso está sendo paga, mesmo que ele não esteja sendo aproveitado. 

A espera pode ser causada por diversos fatores, como falta de material, falta de equipamentos ou ferramentas, atraso na entrega dos materiais, mal dimensionamento da frota – quando caminhões estão na fila aguardando para descarregar – etc. 

Movimentação

Ações que não agregam valor ao processo, como atividades desnecessárias e dispensáveis são  um desperdício. Afinal, não eram necessárias para o projeto e poderiam ser substituídas por atividades mais produtivas e que agregam valor ao resultado. 

Um exemplo de movimento que gera custos para a construção civil é o deslocamento dos operários entre andares, para buscar ferramentas ou mesmo o deslocamento do próprio material. Por esse motivo, algumas construtoras utilizam elevadores em suas obras e distribuem kits completos de ferramentas para cada profissional, além do uso de pré-moldados, kit de instalações prontos, grua para movimentação de material, entre diversas outras alternativas.

A construção enxuta orienta também sobre processos realizados de forma desnecessária, ou seja, aqueles que não agregam valor para o projeto, tornam as atividades complexas e repetitivas. São exemplos ações realizadas mais de uma vez, seja por falta de planejamento, má execução, falta de orientação, ou  simplesmente porque sempre foi feito daquela forma e o sistema não se arrisca a mudar.

Área inutilizada

Todo espaço que não é utilizado na obra ou são ambientes de atividades paralelas – não relacionadas com a obra – são áreas de desperdício.  Ter uma área ociosa, de acordo com a filosofia da construção enxuta, pode causar desperdícios relacionados com:

  • vigilância: canteiros grandes, com espaços vazios exigem vigilância para evitar que se tornem pontos de criminalidade ou até de acidentes;
  • supervisão: áreas grandes são mais difíceis de controlar, podendo causar má distribuição da mão de obra e até uso incorreto dos materiais;
  • locação: a falta de organização e previsibilidade faz com que muitas construtoras aluguem áreas ao lado ou próximas da obra – durante todo o projeto – para construir depósitos, almoxarifado etc.

Transporte

O transporte gera alguns desperdícios para a construção civil. A começar pela movimentação em excesso ou desnecessária dos estoques intermediários. Outro ponto são os meios de transporte utilizados de forma errada, como carrinho para carregar materiais que se perdem, caem ou se espalham pelo canteiro.  

Além disso, perde-se muito tempo com outros processos que estão relacionados com o transporte, como a logística de carga e descarga de materiais, por exemplo, que quando mal planejada podem gerar filas desnecessárias ou impedir o acesso do veículo ao canteiro.. Isso exige que um grupo de profissionais tenha que ir buscar os materiais onde foram descarregados e levar para o ponto onde serão armazenados. 

Estoque

Muitas materiais e insumos dentro de um estoque podem indicar alguns fatores. Um deles é que a obra está atrasada e o outro é que os recursos não estão sendo usados, seja por compra incorreta ou por falha no planejamento, levando a compra excessiva de produtos que só seriam usados no longo prazo.

Produção excessiva

Simples de identificar, a produção excessiva se caracteriza quando a equipe gerou mais produto ou executou mais serviço do que precisava. Um exemplo prático é com a produção de massa, cimento, na escavação de áreas maiores do que necessário ou até na mistura de tintas que sobraram depois da pintura.

Em diversos casos, a produção excessiva não gera um desperdício apenas de material e de tempo da mão de obra, mas gera resíduos para o meio ambiente. Nem sempre o material que foi produzido em excesso poderá ser reutilizado e terá que ser descartado.

A produção excessiva também pode acontecer quando o serviço é executado muito antes de ser utilizado. Isso fará com que um estoque seja gerado sem necessidade, exigindo espaço de armazenamento ou até mesmo sendo mantido em áreas sem proteção, onde pode pegar chuva e sol em excesso e incorrendo no desperdício mencionado no item anterior.

Erros de execução

Um dos desperdícios mais significativos e também, por consequência, um dos maiores desafios que envolvem os defeitos na construção civil é que, em grande parte, os erros de execução acontecem de forma sistêmica. Já estão enraizados nos processos e acontecem justamente por isso, seja porque um procedimento sempre foi feito daquela forma, ou porque foi ensinado de determinado jeito e não há segurança em inovar.

Aqui alguns exemplos que podemos citar são as dezenas de retrabalhos feitos devido a projetos mal elaborados ou com erro de compatibilização. A falta de planejamento por trás de todas as etapas de execução da obra, desde o desenho inicial do projeto até a finalização no canteiro, pode ocasionar falhas que seriam facilmente corrigíveis sem gerar transtornos a ninguém.

Uma forma eficiente de organizar isso é criando um Last Planner ou um gerenciamento de Restrições, por exemplo, onde é possível organizar toda a obra e prever qual material, em que quantidade e com que mão-de-obra será necessário para cada uma das etapas ainda a serem desenvolvidas. Isso ajuda a prevenir problemas como a falta de material para avançar com determinado passo da obra e também a falta de comunicação, pois desde o início todos os envolvidos na obra (desde gestores até operários) conseguem estar na mesma página para compreender, mapear e seguir tudo o que precisa ser feito.

Atraso

O atraso gera impactos diretos para os resultados financeiros do projeto e por consequência da empresa. Quando há atraso, outros desperdícios já aconteceram, como a ociosidade na obra, problemas com o transporte, espera, movimentação entre outros.

Além disso, o atraso indica que outros processos do projeto estão sofrendo atrito, podendo ter sido causado desde a fase de planejamento e cronograma, com definições equivocadas e distantes da realidade. 

Em muitos casos, o atraso acontece porque não se tem uma visão de longo prazo do projeto, com um cronograma atualizado que permita enxergar com antecedência pontos de gargalo a serem resolvidos ou que não é possível executar o que foi planejado, no prazo determinado inicialmente.

Como a construção enxuta impede que desperdícios aconteçam e ajudam a reduzir os custos na obra 

Um dos principais pilares de uma construção enxuta é a estabilidade da produção. Nessa filosofia, a obra deve caminhar de forma sustentável, colaborativa e produtiva, buscando sempre a melhoria contínua e a eficiência das entregas e reduzindo os custos para o projeto. 

O principal desafio, para as empresas, está, justamente, em identificar os desperdícios que não são tão óbvios quanto um material que foi perdido no processo. Listamos diversos tipos de desperdícios que o gestor precisa enxergar, mas que não são tão claros, como a movimentação de funcionários, por exemplo. 

Com uma metodologia enxuta, o maior número de problemas são expostos, o mais cedo possível para que sejam resolvidos rapidamente. A antecipação desses desperdícios permite que alternativas sejam adotadas previamente, a fim de evitá-los. 

Nesse sentido, a Linha de Balanço é um recurso fundamental, pois ajuda a organizar e planejar os locais da obra no tempo. O engenheiro consegue ter uma visão ampla e simples do que está sendo feito e do que ainda será realizado. 
Com base nas informações que entrega e aplicada a uma metodologia enxuta, a Linha de Balanço ajuda a melhorar a produtividade e a qualidade das atividades realizadas no canteiro de obras.  Saiba mais sobre a Linha de Balanço e como ela pode ajudar a sua empresa a ter uma construção enxuta, e continue acompanhando nosso blog!

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